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Mensagens

Irrelevâncias

Somos todxs terroristas... mais uma vez...

 [Eis um vómito de palavras, após a leitura de uma postagem sobre o I Fórum Social Português, lá por junho de 2003:   O QUE FAZ CORRER ESTES INTELECTUAIS?] Alguém conhece a palavra ironia?  Se calhar não existe nos seus dicionários e se calhar é por isso que todxs somos  para vocês realmente espalhadorxs do terror. Espalhamos o terror enquanto pessoas pertencentes a um mundo no qual o senhor Bush e os seus vassalos podem inventar um novo significado para as palavras democracia e liberdade impunemente. O irónico da questão é que esses novos conceitos de democracia e liberdade de Bush e do mundo neoliberal globalizado são os que melhor se correspondem com o significado original de terrorismo . Curiosas contradições, não é? Então, assim as coisas, só me resta 'ter mau gosto' e autoclassificar-me com 'aparente orgulho' de terrorista . Serei uma terrorista que acha que o terror não se combate com mais terror, que acha que o dinheiro e o petróleo não pagam nem merecem vi...
Mensagens recentes

Romance en '-aba'

 E eis uma velha relíquia, tentativa de romancear, estrutura do século XV e temática de adolescente de pouco mais de 15...:

Autoretrato

  Poema de Natália Correia e imagem tirada de: https://aviagemdosargonautas.net/2015/08/25/auto-retrato-de-natalia-correia/ Hipócritas multicolores nesta Europa que volta tingir-se de cinza, do grisalho da guerra, da pretidão das bombas da inumanidade vivida em primeira pessoa pelas vítimas que viram carrascxs.  Carregamos com essa lousa, verdugxs vitimizadxs pela inominável 'sociedade democrática do desenvolvimento branco e europeu'. Era isso o tal 'estado do bem-estar'? Decrescer dizem ser preciso. Mas... como decresce e se desconstrói alguém que nunca se desenvolveu nem construiu por si próprix? Por vezes... melga! Puta que a pariu!. Por vezes mulher (o que é que isso aí rapaz?). Por vezes não sou nada, não quero ser, só parecer ou jogar a ser, fazer de conta quê... Por vezes diligencio ser 'mãe'. Neocolonialismos neoliberais jogando ao despiste da sustentabilidade e da felicidade à custa da tua virgindade, da tua indulgência, do teu paternalismo. E no céu, u...

Centão para/das Letras Galegas_1

A minha voz (CEF) Língua proletária do meu povo  (CEF) eu falo-te porque sim, porque gosto,  (MM) porque em ti atopei os sonhos meus,  (C)      um idioma extenso e útil, (EP)      as palavras de ferro, (EP)             os verbos do grande Camões (EP)           e a fala de Breogám. (MM) Reconheci em ti o meu espíritu, (LV)           já não a boca, já não a língua: (LV)           senão o amor que a palavra redondea (MM)      e que vai no sentimento, (BG)      o bico com a tua língua. (MM) Foste idioma poscrito (MM) E ti tens que resurgir puro (MM) poderoso, enteiro (C)           fora do imperialismo espanhol. (RdC) Porque só a lembrança de onde vens, (RdC) ajudará a saber para onde ir. [Centão criado com versos de  CEF -Ce...

Centão para/das Letras Galegas_2

A voz (RdC) Cai tão baixo, tão baixo (RdC) que me deixaram só e (RdC) com uma roupa alheia vestida. (RCC) Onde estava? Baixo teito. (RdC)    Quando voltei, vinha morrendo, (RdC) mas ainda estou viva... Ainda podo… (MM) com o coração na mau, (MM) chegar a Portugal, (LV) onde a palavra floresce; (MM) porque há outra Galiza possível (CEF) por riba de todas as fronteiras, (MM) para erguermos o nosso futuro (MM) falando a fala nai. (RCC) Esperanças tolas, como a guerra. (HLM) Entre as brumas da memória,  (HLM) ó Pátria, sente-se a voz  (HLM) dos teus egrégios avós. (EP) Desperta do teu sono, e (RCC) no teu sonho galopa para a vida, (RCC) mais cada vez, cada vez mais, Europa… (RCC) hás-me tratar com magnanimidade, (RCC) sem medo à repressão de invejosas potências ou ciumentos poderes. (EP) E cumprido fim teremos. (EP) Falem, meninhas, (EP) FALEM/ -ME/-LHE 💛 GALEGO. [Centão criado com versos, adaptados alguns, de  CEF -C...

BALANÇA

Balança menina, balança, balança na dança e come chocolate! Sê todas as luas que queiras ser e balança sempre em confiança. Balança, menina balança, balança com a tua dança! Balança, menina balança, vamos dançar a nossa dança. Equilibra-te na corda bamba e mergulha-te nos oceanos, que se te ouça rir, cantar e sonhar, tecendo redes para neste mar pescar! Balança menina, balança, balança na dança e come chocolate! Acolhe a tua herança, cria liderança e berra confianças! Balança, menina balança, balança com a tua dança! Balança, menina balança, vamos dançar a nossa dança. Rebola ao som do ar e do mar através do mundo, de lés a lés, desenhando humanidades, desvelando desumanidades até pondo-o do invés! [poema que foi adaptado e musicado no Livro-CD O Colo das palavras ]

Oda ao Pai do Carai

(16 de outubro de 2016) Seis décadas de sensações já percorreram os teus ossos deixando pegadas de alentos e suspiros de ilusões, caminhando com a companhia dos sentimentos fantasiosos,  mas sempre enchendo e alentando os nossos corações. Sesenta solpores no profundo océano  da túa, agora xa, melancólica mirada sesenta veces sesenta agarimos, sesenta bágoas, sesenta mil sorrisos e infinito carinho O salseiro dos teus ollos e as mareas da túa voz voan polos cantís dos teus pensamentos e afúndense na escuma do mar ata brillaren coa ardora do teu imaxinario [Escrito no 2016 por Antia CL, Rosalia CL e Catarina CL]

Diógenes sentimental

Vejo-vos e revejo-nos, penso-nos, sinto-vos Sinto, desfruto, penso e repenso em que teria sido se… E assalta-me… Nossa! Quanta coisa vivida, feita, sentida, experimentada, apalpada, cheirada, beijada! Gratidão. Não tenho saudades, tenho sensações lindas, curiosidades cumpridas, experiências vividas bem guardadas no meu peito e nos poucos neurónios que ainda me restam fazendo sinapses. Não quero queimar nem tirar todas essas recordações de grandes momentos da minha cabeça, essas não me incomodam nem me impedem, pelo contrário, ajudam-me a sentir-me plena, vivida, querida, desfrutada. Tríades que (se) complementam: cabeça, coração e sentidos, que se manifestam em formas de mil prazeres, vários, diversos e com muitas intensidades e matizes. Todavia, no meio destas, assombram por vezes outras tristes conexões de tempos e quereres perdidos, sofridos, doídos sem sentido algum. Mas estes, também me lembram e atentam para, hoje e agora, poder ver nitidamente, que há trilhos que não são o camin...

O binómio

Leva-me, deixa-me, arroupa-me, despe-me!! Vive! Vivam-me! Tiremo-nos a dor de cima, a angústia, mas com armonia, elegantemente vivendo na plena consciência da inutilidade da vida mais além da pura realidade com sabor a amêndoa amarga do “já passou mais um outro dia”. Despoja-me, despeja-te, desliguem-se, desmascaremo-nos, vivamos. Sim, atreve-te, porque é que não? Toda as pessoas copiamos umas das outras. Toda as pessoas amamo-nos umas às outras. Todas as pessoas competimos umas com as outras.

Ferrol, 2020

Zero tostões pagávamos de aluguer. Era um quarto andar, banal e normal. pela traseira dava para uma quadra semi-fechada, pela dianteira à rua própria, à Atocha e à Martel. No prédio do lado morava um militarão: durante um centenar de dias menos um emitiu para todo o quarteirão em altos bemóis, notas sobre ‘culos blancos’ e ‘Resistirés’. Todavia sobrevivemos aos ‘resistirés’; e aos ‘culos blancos lavados con Ariel’; e aos ‘sobrevivirés’ entoados aos berros, por pura resiliência e máxima impotência. Na casa tínhamos cartazes de abril e, é claro, nenhum (a)pasta-cães, e com as vidas em arresto domiciliar, cada dia dos 99 maternava eu mais um bocado. Não via o mar desde a minha janela, mas à rua chegavam pavões do parque. E procurava escusas para me desconfinar, mas todos os dias voltava para me refugiar na minha materna doçura. As mulheres continuávamos opressas e íamos à aldeia com o medo da punição; um novo recuo parecia estar em caminho; nas janelas cada vez mais bandeiras e nas ruas c...

Sucumbindo nos sectores

Sucumbir à existência ao nascer. Sucumbir à escolarização e socialização ao crescer. Sucumbir à atividade laboral remunerada ao crescer mais um pouco. Sucumbir à perpetuação genética deixando crescer a torto e a direito zigotos. Sucumbir à inatividade física ao continuar a crescer mais outro pouco. Sucumbir à inexistência ao morrer.